segunda-feira, 22 julho 2019 01:22
Atualidade

Estará a resposta global ao VIH em crise? IAS lança o alerta

Foi esta a questão lançada pela International AIDS Society (IAS) na conferência de imprensa inaugural do IAS 2019. O organismo pretende aproveitar o foco mediático global para alertar para as necessidades de saúde de milhões de pessoas que são atualmente afetadas por crises humanitárias. "Desde a Síria à Venezuela, o desafio está em providenciar os cuidados de saúde em VIH nos cenários que vivem sob crise humanitária", ameaçando os progressos globais registados nos últimos anos nesta área, explicou aos jornalistas presentes no IAS 2019 o Dr. Anton Pozniak, presidente da IAS e international scientific chair do congresso.

"As pessoas que vivem em cenários de emergência são especialmente vulneráveis a novas infeções. Desta forma, precisamos de unir esforços para garantir que a prevenção, o diagnóstico e o tratamento do VIH constam da agenda internacional de apoio humanitário a estes casos”.

Na América Central e na Venezuela, por exemplo, a instabilidade política tem gerado um movimento migratório massivo. Na Venezuela, por exemplo, das 120 mil pessoas afetadas pelo VIH, apenas metade tem acesso aos tratamentos antirretrovirais e menos de 7% atingiu, em 2017, carga viral indetetável.

As mulheres com VIH: uma luta ainda por travar

Globalmente, as mulheres e raparigas continuam a enfrentam barreiras estruturais e sociais para aceder aos cuidados de saúde.

No que diz respeito ao estigma e discriminação, de acordo com a IAS, 29 países continuam a obrigar que exista um consentimento por parte do marido ou parceiro da mulher para ter acesso a determinados serviços de saúde, como são o ginecológicos e obstetrícios.

A UNAIDS estima que na África Subsariana, três em cada cinco novas infeções por VIH na faixa etária dos 15 aos 19 são raparigas.

Por outro lado, as crises e os cenários de emergência colocam as mulheres e raparigas em riscos elevados de violência, aumentando assim o risco de ocorrência de gravidezes indesejadas e infeções por VIH.

Paquistão: mais de 500 diagnósticos de crianças na mesma cidade

"Reforçar sistemas de saúde frágeis deverá ser o ponto fulcral de uma resposta humanitária global", afirmou a Prof.ª Doutora Fatima Mir, pediatra no Aga Kahn University Karachi, a propósito do recente foco de novas infeções pediátricas por VIH numa cidade do Paquistão. "As soluções são claras e simples: precisamos de investir em formação e treino, para além de dotar os centros de saúde mais rurais de cuidados de saúde primários e secundários dirigidos especificamente a mulheres e crianças."

"Temos a ciência e a tecnologia de que precisamos para enfrentar a epidemia e é hora de eliminar o estigma e a discriminação para alcançar todas as pessoas", referiu a Dr.ª Momchil Baev, do Sexual Health Program Manager at SingleStep. “A Europa Oriental e a Ásia Central são a única região onde as taxas de novas infeções por VIH estão a aumentar, com a Rússia a contribuir com 100 mil novas infeções por ano. Para reverter esta tendência, precisamos de intervenções que tenham em conta as necessidades das pessoas mais vulneráveis ao VIH”.

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